Mia Couto, renomado escritor moçambicano, encontra-se entre os grandes mestres da literatura quando o assunto é decifrar a alma feminina.
Em todas as suas obras, podemos observar sua profunda sensibilidade na leitura do pensamento, da alegria e da dor de ser mulher.
No poema abaixo, uma clara indicação de sua genialidade poética. Afinal, é a “casa” que nos ensina a ser mulher.
A CASA
Confesso:
Quando a olhei
eu apenas queria,
em sua boca,
a água onde começa a vida.
E fui num murmúrio:
preciso do teu fogo
para não morrer.
Ela, então,
sussurrou o convite:
vem a minha casa.
No caminho,
porém,
recusou meu braço,
esfriou o meu alento.
E corrigiu-me assim o intento:
não te quero corpo,
nem quero o fogo do leito,
nem o frio do adeus.
Suave murmurou:
levo-te,
homem,
a minha casa
para aprenderes a ser mulher.
Que nenhum outro fim
a casa tem.
No livro “Vagas e Lumes”, da Editorial Caminho.
Editorial da Bem Mais Mulher
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